O Fim das Mega Igrejas?

O fim das megaigrejas?

Já havia sinais de que “a era das megaigrejas” estava chegando ao fim. Sempre haverá grandes igrejas na maior parte dos países – e algumas serão cada vez mais fortes e, de fato, têm um impacto positivo na comunidade. Mas a demografia do cristianismo – e mais especificamente, a demografia do pós-cristianismo – parece apontar para um rápido declínio do modelo de igreja orientada para o “consumidor”. Megaigrejas sem programas consistentes de reuniões em células (grupos pequenos) em sua estrutura eclesiástica podem sofrer muito para se recuperar da Covid-19, isso da perspectiva da lealdade eclesiástica.
Frequentadores anônimos migram facilmente para um modelo de adoração on-line em suas casas, da mesma forma que, em um clique, pulam para a transmissão de outro culto ao vivo em suas telas.
Quanto do desafio às ordens de interrupção de reuniões presenciais está relacionado à necessidade de algumas igrejas de manter o fluxo de contribuições financeiras por conta da formidável estrutura física e dos programas que disponibilizam? Quanto disso é mais a prepotência de um pastor sênior que não aceita se submeter ao que um
governo secular diz?
...A crise decorrente da pandemia de Covid-19 provavelmente continuará acelerando o declínio desse modelo.

Durante esta pandemia, estou observando o relacionamento entre Igreja e Estado ao redor do mundo com alguma preocupação, e eu não sei ao certo como fazer uma análise. De um lado, é preocupante ver a maneira como certos governos aproveitam-se desta oportunidade para reprimir a Igreja, seja sutilmente ou com
mais dureza. De outro lado, é preocupante ver como alguns cristãos estão determinados a ignorar políticas governamentais e desafiar ordens para não realizar reuniões presenciais. Estou certo que alguns deles já recitaram 1 Samuel 15.23 antes. Além disso, é desconcertante ver o assustador efeito da secularização: os cristãos e as igrejas são cada vez mais marginalizados no Ocidente pós-cristão. No entanto, também é desconcertante ver isso enquadrado pelos crentes como uma “guerra contra a religião”, como se eles estivessem na Coreia do Norte ou Arábia Saudita em vez de nos Estados Unidos ou Reino Unido.

Como reagir e o que dizer quando nossos governos eleitos democraticamente, em nome da segurança pública, proíbem os cristãos de se reunir para o culto?
Qual a maneira correta de reagir quando pontos de venda de maconha, lojas de bebidas e clínicas de aborto são considerados “serviços essenciais”, mas as igrejas não?
Quando nos submetemos às autoridades conforme Romanos 13.1-5 e quando não?
É possível anunciar que “nossos edifícios podem estar fechados, mas a Igreja está
viva” e, ao fazê-lo (corretamente), afirmar que Igreja não se trata de prédios, mas
também trabalhar para que esses mesmos edifícios sejam abertos o mais rápido pos￾
sível, ou mesmo desafiar a lei para nos reunirmos neles?
Não há respostas fáceis.
Vemos que diferentes tipos de pessoas, em diferentes tipos de igrejas, em diferentes países e culturas, lidam com isso de diferentes formas. O que quer que façamos, devemos fazer segundo o caráter de Cristo. E, se isso não é possível, então provavelmente não deveríamos fazê-lo.

Levante o teto, não abaixe o piso! Há uma rápida e não intencional consequência
no fato de a Igreja ter passado para um funcionamento virtual durante o coronavírus; a mesma da revolução digital na vida da Igreja em geral, ou a mesma consequência de estruturar a experiência de adoração por meio de técnicas de marketing e vendas. Originalmente, eram bons os motivos para tentar tornar a participação na vida da Igreja o mais fácil possível. Mas a acessibilidade sem esforço significa que o entretenimento espiritual, em vez do discipulado ativo, torna-se o padrão para muitos – especialmente nas maiores igrejas.

O cristianismo não é um esporte para espectadores, e alguns pontos contribuem para tornar a participação passiva como norma:
Ministrar nivelando o ensino de acordo com quem tem pouco ou nenhum conhecimento bíblico,
Conveniência do anonimato em grandes congregações,
Transmissões unidirecionais e
Facilidade de ingresso e saída da vida da Igreja no ambiente digital.
O ditado “What you win them with is what ou win them to” [“Com o que você os conquista é para o que você os conquista”] soa mais verdadeiro que nunca.
Que tipo de discípulo nossa estratégia digital está produzindo?
Certamente, existem discipulados robustos no ambiente digital, mas, para isso, nossas igrejas e ministérios precisam desejar seguir tal direção.

Nossas estatísticas baseiam-se em “participação” numérica na celebração, cliques em nossa página na web, e alguém que foi “evangelizado” ou “alcançado”. Um emoji de polegar para cima conta como uma alma conquistada por Cristo. Já ouvi a frase “milhões incontáveis” como descrição do alcance de eventos cristãos on-line recentes de larga escala.

Não caia no jogo de igualar número de cliques a almas. Não confunda quantidade com qualidade. A tentação de sermos generosos além da conta com nossas próprias estatísticas está sempre ao redor, bem como a tentação de apresentarmos a nós mesmos e nossos ministérios como algo além do que realmente é. Não podemos permitir que tal falsidade mundana se infiltre em nosso pensamento. Isso nunca leva a bons resultados no Reino. As igrejas com crescimento notável ao longo da história normalmente são as que mantém a autocrítica em alto nível.

Contudo, a ocupação frenética que a vida
da igreja evangélica impõe a seus frequentadores reflete uma ênfase no ativismo, ainda que essa ênfase (ou até mesmo obsessão) não se traduza em ações que vão além da congregação, da comunidade local, e alcancem uma parcela mais ampla do mundo. Quando nossas vidas estão sujeitas a uma parada forçada (um sábado!), nosso evangelicalismo sofre uma crise existencial? 

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